Mas a gente se acostuma, né? A gente precisa se acostumar com as horas que passam, com os dias que se arrastam, com as estações que mudam, com as chuvas que não caem, com o tempo que é sempre tão paradoxal. No fim, a gente acaba se acostumando com as ausências, também. A vida é, na verdade, um eterno acostumar-se.
De uns dias para cá, eu tenho sentido menos. Hoje, de novo, acordei te amando menos e me amando mais. A dor que havia me amortecido está passando aos poucos, estou voltando a me sentir. Às vezes, parecia que haviam me arrancado o coração e, mesmo assim, eu continuei vivendo. Foram dias estranhos, dias parecidos comigo. Tenho a sensação de que não dormi durante todos esses meses. Mas, mesmo assim, eu acordei.
Primeiro, eu senti muito.
Depois, eu senti falta.
Agora, eu sinto mais nada.
(Daniela Lusa - "Das cartas envelhecidas"
Quero pôr o bonito numa caixa com chave para abrir de vez em quando e olhar.
terça-feira, 10 de junho de 2014
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Como é possível a gente acreditar que gosta de alguém tão sem nada pra gostar? Eu tenho pavor da minha precipitação. Dos impulsos eu gosto, eu sou, mas precipitação, Deus me livre. E eu rezo todos os dias pra nunca mais confundir amar a ideia de amar com realmente amar uma pessoa avulsa. Porque a gente passa tanto tempo sozinha, que não é difícil se encostar em alguém pra descansar. E achar que isso é porto seguro, só porque naquele minuto as pernas já não doem, porque não carregam todo o peso de andar só, ser só, segurar todos os trancos do mundo só. Eu nunca faria isso conscientemente. Eu nunca trocaria a minha solidão colorida por uma companhia preta e branca, se me dessem opção de escolha. Mas quem consegue nos enganar melhor que nós mesmos? Me encontro todo dia, mas vivo me perdendo também. E depois tenho que ficar aqui, sentindo náuseas no mesmo lugar onde havia borboletas, pela pessoa menos gostável do mundo. Desprezo, preguiça, antipatia. O mais triste não é fim do amor. É perceber que nunca foi amor, foi perda de tempo com o cara mais água com açúcar da face da terra. Falar de hipocrisia e ser hipócrita é a gripe dos tempos modernos e eu me apaixonei por isso, um gripado em estado terminal. É uma pena, desejo saúde pra ele. E sanidade pra mim.
Marcella Fernanda
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Te exclui da minha vida. Alias, me exclui dos caminhos que me levavam a você. Vai ser difícil tirar você daqui de dentro. Se eu não te tiro, então eu saio. Dá vontade realmente de sair desse corpo e ir morar em outro, como se as emoções e os fatos que aconteceram com essa matéria, ficassem dentro dela e não me perseguissem quando eu fosse outro. Dá vontade de sair daqui. De ir pra bem longe. De nunca mais te ver. Mas dá vontade de te ouvir me chamando la fora numa noite qualquer e pedindo perdão pelas vezes que pensou mais em você do que em mim, que não me entendeu. Pedindo pra eu ficar. Não te abandonar. Dá vontade de ver meu celular vibrar e na tela uma mensagem sua, dizendo que eu fui a melhor coisa que te aconteceu. Eu te amo. Te desejo alegrias. Cartas anônimas de amor. Brisas aos fins de tarde. Amigos. Te desejo desejos! Eu te amo. Me fala se um dia tua saúde estiver fraca, eu mando minhas energias mais positivas pra te ver bem. Eu falo com Deus por você. Dou um ultimato no seu anjo-da-guarda. Eu realmente te amo. Vai se lembrar disso amanhã? Eu espero que sim. Vou lembrar-me de você a minha vida inteira.
Cartas de amor...
Caio Morelli
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
domingo, 1 de dezembro de 2013
Sumi
Porque só faço besteira em
sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do
outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro
antes, durante e depois de te encontrar. Sumi porque não há futuro e isso não é
o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido
que o ar. Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas
atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência,
ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar
para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência.
"Eu não acho que seja possível preencher um espaço vazio com aquilo que você perdeu. Não acho que nossos pedaços perdidos caibam mais dentro da gente depois que eles se perderam. Agora foi a minha ficha que caiu: se eu de alguma forma a tivesse de volta, ela não encheria o buraco que a perda dela deixou."
John Green - O Teorema de Katherine
quarta-feira, 24 de julho de 2013
domingo, 21 de julho de 2013
Às vezes você é tão bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer. Eu queria assinar um contrato com Deus: se eu nunca mais olhar para homem nenhum no mundo, será que ele deixa você ficar comigo pra sempre? Eu descobri que tentar não ser ingênua é a nossa maior ingenuidade, eu descobri que ser inteira não me dá medo porque ser inteira já é ser muito corajosa, eu descobri que vale a pena ficar três horas te olhando sentada num sofá mesmo que o dia esteja explodindo lá fora. E quando já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca, e começo a querer coisas que eu nem sabia que existiam. (...) Eu olhei para você com aquela sua jaqueta que te deixa com tanta cara de homem e me senti tão ao lado de um homem, que eu tive vontade de ser a melhor mulher do mundo. E eu tive vontade de fazer ginástica, ler, ouvir todas as músicas legais do mundo, aprender a cozinhar, arrumar seu quarto, escrever um livro, ser mãe. (...) Eu te engoli e você é tão grande pra mim que eu dedico cada segundo do meu dia em te digerir. E eu não tenho mais fome, e eu tenho que ter fome porque eu não quero você namorando uma magrela. E eu sonhei com você e acordei com você, e eu te olhei e falei que eu estava muito magrela, e você me mandou dormir mais, e me abraçou. Eu preciso disfarçar que não paro mais de rir, mas aí olho pra você e você também está sempre rindo. Se isso não for o motivo para a gente nascer, já não entendo mais nada desse mundo. (...) Você me transformou no eufemismo de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança. Você quebrou minhas pernas, me fez comprar um vestido cheio de rendas e babados, tirou as pedras da minha mão. Você diz que me quer com todas as minhas vírgulas, eu te quero como meu ponto final.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
"Um dia eu tive a impressão de que o amor tinha chegado. Meio súbito, meio sem jeito, meio calado. E aquele sentimento veio tomando conta feito nuvem preta no céu em dia de temporal. Começou um vento forte dentro de mim, uma sensação de inquietude. E minhas noites não foram mais iguais. Ficava esperando um sinal, uma marca, uma tatuagem. Alguma coisa que me dissesse que, sim, seria bom e duradouro
.
Eu queria gritar, pedir socorro, mas a voz não chegava até a boca, não conseguia emitir nenhum som. Eu queria viver, sentir, saber, conhecer mais de perto aquilo que não tinha um nome certo, mas que eu queria que fosse amor. A gente quer que seja amor sempre. Acho que isso acontece porque a gente quer viver uma coisa bonita, uma coisa que todo mundo nessa vida diz que vive ou já viveu." domingo, 30 de junho de 2013
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